Guia de Práticas ESG
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Há trilhões de dólares envolvidos na agenda ESG e somente aqueles que se adaptarem a essas diretrizes poderão receber os seus benefícios. No entanto, é preciso uma convergência de ações com diferentes stakeholders para tornar a responsabilidade social uma realidade no Brasil.

Imagem: Objetivos de Desenvolvimento Social relacionados a S do ESG: (1) erradicação da pobreza; (3) saúde e bem-estar; (4) educação de qualidade; (5) igualdade de gênero; (10) redução das desigualdades.

As diretrizes ambientais são mais conhecidas e maduras para a maioria da sociedade, no entanto, o S do social ainda carece de atenção, principalmente na América Latina. Aqui, a desigualdade é um agravante, uma vez que ela traz outros fatores que precarizam a condição humana. Há um vínculo perverso que une desigualdade a outros fatores, como o desemprego, a fome, a violência, a falta de educação e qualificação, o desemprego e a ausência de renda.

O IBGE (2022) indica que há 10,1 milhões de desempregados, 4,3 milhões de brasileiros desalentados e 21,2% de pessoas subutilizados, nos dados coletados no 2º. trimestre de 2022. Em relação ao Índice de Desenvolvimento Humanos (IDH), que mede o desempenho médio da localidade em expectativa de vida, educação e PIB, o Brasil está em 87ª. posição no ranking de 191 países, conforme dados divulgados em setembro de 2022, mostrando que caímos duas posições consecutivas (PODER, 360).

Isso sugere que uma boa parte de nossos cidadãos ficam à margem das condições dignas de vida, e isso tende a ser agravado pelas novas lógicas inseridas no mercado de trabalho: novas tecnologias e a necessidade de novas competências para fazer parte do mercado de trabalho no século XXI.

Esse foi o destaque que a chamada agenda Reset Work ou Upskilling e reskilling revolution  , indicada pelo Fórum Econômico Mundial, mostrando que 1 bilhão de pessoas terão que se qualificar e requalificar para serem inseridas nesse mundo do trabalho pós-pandêmico. Essa agenda deve ser concretizada por meio do crescimento dos PIBs dos países, da oferta de emprego formal, da atualização das habilidades das pessoas para o ingresso no mercado de trabalho e pela equidade, pois “todos” precisam estar inseridos no mercado, fazendo a ressalva evidente de que a diversidade da força de trabalho deve estar presente no direcionamento da concretização dessa agenda (ARBACHE & BOTTEON, 2022).

A diversidade e a inclusão são temáticas vigorosas na pauta de ESG e buscam trazer maior representatividade das diferentes dimensões de diversidade, sendo elas: gênero, raça, orientação sexual, etnia, faixa etária, estética, refugiados, imigrantes, expatriados, pessoas com deficiência, entre outras, no mercado de trabalho. Para tanto, ações efetivas são necessárias, desde a declaração do manifesto das organizações, sua missão, visão e valores, até políticas e ações que promovam a participação de todos em diferentes funções e níveis de atuação (ARBACHE e GUARANI, 2020).

O Brasil, com as taxas citadas acima, tem o grande desafio de incluir quem está fora e manter quem está “dentro”, uma vez que, para ocorrer a manutenção de quem está trabalhando, será preciso realizar a requalificação, tanto de hard skills quanto de soft skills. A automação e a inteligência artificial irão contribuir para o desaparecimento de vagas de trabalho, mas também poderão gerar novas vagas. No entanto, para tornar a força de trabalho apta para assumi-las, a educação será a grande protagonista dessa agenda. Com ela, estão os novos modelos de trabalho, presencial, remoto e híbrido, que já fazem parte da nossa realidade (ARBACHE & BOTTEON, 2022).

Tudo isso torna mais complexo para as organizações lidarem com as demandas sociais que chegam até suas portas. Caso contrário, não terão condições de operar em um mercado competitivo, por não conseguirem força de trabalho com prontidão para operar de modo eficiente, uma vez que não há profissionais capacitados no mercado (em quantidade suficiente) para serem recrutados e contratados.

Isso já é realidade em alguns setores do mercado onde há escassez de talentos capazes de atender aos requisitos das vagas abertas. Outra realidade que cabe a atenção é a carência de uma cadeia produtiva capacitada e pronta para responder às novas demandas do mercado, seja do ponto de vista das inovações tecnológicas, seja do atendimento das demandas trazidas pelas diretrizes ESG. Essa questão aparece principalmente quando se busca fornecedores fora dos grandes centros. Muitas vezes, os fornecedores disponíveis nesses espaços carecem de qualificação e acesso a inovações e, por isso, têm grande dificuldade de concorrer com negócios do mesmo setor localizados nos grandes centros, fortalecendo, assim, a desigualdade entre os grandes centros e as outras cidades.

Isto posto, vemos que os altos indicadores de desigualdade tiram dos brasileiros a dignidade humana e das organizações, a capacidade de sustentabilidade e competitividade em ambientes complexos e inovadores com os quais vivemos.

Outro ponto relevante que rompeu as portas das organizações e se fez presente foi a pauta da saúde mental. Os efeitos colaterais da crise humanitária vivida do início de 2020 até o início de 2022 deixaram um passivo considerável em relação à saúde mental dos colaboradores. O Atlas da saúde mental divulgado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) em 2021 mostra o aumento da necessidade de tratamentos ligados a saúde mental, como psicoses, transtornos bipolares, depressão, o que demanda uma ação mais encorajadora das organizações para alinhar ações no cuidado da saúde mental dos trabalhadores. Além disso, é importante oferecer assistência por meio de benefícios como planos de saúde, programas específicos de assistência e grupos de apoio na organização (OMS, 2022).

Nesse sentido, é preciso criar um ambiente que favoreça o bem-estar e a segurança para todos, bem como possua programas e ferramentas que permitam ações concretas e capazes de guiar ações preventivas, enfrentando de frente e junto do colaborador situações de ansiedade, estresse grave, depressões, síndrome do pânico, suicídios e ideação suicida. Uma recente mostra que a incidência de afastamentos provenientes de transtornos mentais cresceu em 30% de 2020 a 2022. Isso impacta primeiramente as pessoas acometidas por essas doenças, mas representa para as organizações um gasto de 5 milhões de reais até o final do ano corrente (HONORATO, 2022).

De fato, há uma redefinição do papel das organizações, o qual pede que elas sejam atuantes em aspectos importantes para o desenvolvimento da sociedade e seus cidadãos, não por acaso, a agenda ESG pede uma força de coalização para que se possa abastecer as demandas trazidas pelos novos tempos. A responsabilidade social é a dimensão mais importante dessa agenda, pois lida com seres humanos, pessoas que são impactadas, positivamente ou não, pelas operações das organizações, sejam investidores, acionistas, colaboradores, fornecedores, consumidores e cidadãos presentes nas regiões onde atuam.

A publicação de indicadores de investimento em ESG, feita pelo Itaú BBA (VC/AS, 2022), mostra que os investimentos no S são menores em relação à responsabilidade ambiental e à governança, a despeito do que foi mostrado acima. Infelizmente, ainda precisamos ressaltar que emprego e renda trazem consumo e competitividade para os negócios e promovem o crescimento do IDH nas regiões.

Um dos pontos principais debatidos no turismo sustentável é como as empresas e seus stakeholders podem contribuir para a redução da desigualdade nos locais onde atuam e para a gestão de seu público interno considerando as boas práticas ESG. Alguns desses pontos seguem abaixo.

BOAS PRÁTICAS DE RESPONSABILIDADE SOCIAL

  1. Censo para conhecer a representatividade da força de trabalho diversa, ou a falta dela.
  2. Promoção de uma cultura acolhedora da diversidade, com inclusão e acessibilidade.
  3. Instalação de processos internos das diretrizes ESG, com responsabilidade e transparência.
  4. Recrutamento afirmativo, junto aos seus colaboradores em todos os níveis de funções e cadeia produtiva.
  5. Programas de integração que abordem a diversidade da força de trabalho, aliados a medidas formativas e medidas disciplinares presentes no código de conduta ética da organização.
  6. Qualificação da força de trabalho e cadeia produtiva com foco em ESG.
  7. Processos de progressão de carreira transparentes e justos.
  8. Formação de lideranças tendo o censo de diversidade como orientador.
  9. Criação de grupos de afinidade.
  10. Bonificação para lideranças engajadas nas políticas de diversidade da organização.
  11. Criação de programas de cotas afirmativas conforme resultado do censo de diversidade.
  12. Estímulo a conselho de administração com representatividade diversa.
  13. Criação de cooperativas que forneçam alimentos e materiais para o empreendimento.
  14. Publicação de balanço social.
  15. Adesão a organizações como o Rede Pacto Global Brasil, ONU Mulheres, Sistema B, entre outros.
  16. Apoio a organizações sem fins lucrativos e que tenham propósito compartilhado com a organização como enfrentamento à violência doméstica, ao trabalho escravo, ao trabalho infantil, ao tráfico humano, ao assédio sexual e moral, à prostituição infantil, ao racismo estrutural, a discriminações e preconceitos, entre outros.
  17. Adesão a certificações como a ISO 24.500 (compras sustentáveis), ISO 26000 (responsabilidade social) e ISO 45001 (segurança e saúde no trabalho).
  18. Promoção de trabalhos voluntários junto às comunidades onde operam ou a causas sociais assumidas pela organização.
  19. Valorização da cultura nos locais onde atua e empoderamento das comunidades por meio de treinamentos e inclusão no mercado de trabalho.
  20. Incentivo por meio de investimentos a projetos sociais.

Quadro 5: Boas práticas de responsabilidade social.

Hoje, consumidores querem estar alinhados com marcas e empresas gerem ações concretas e legítimas em torno das diretrizes ESG. Ainda há muito a ser feito pelo S do ESG, mas o caminho já está traçado e é preciso segui-lo! Cada empresa terá um movimento e estágio diferente nesse caminho, desde práticas mais básicas, até as mais sofisticadas, no entanto, o mais importante é estar no caminho.

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